VACINAÇÃO INFANTIL EM TEMPOS DE DESINFORMAÇÃO: UM ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO E PERCEPTIVO COM AGENTES DE SAÚDE EM CAMPOS GERAIS/MG
Palavras-chave:
Desinformação em saúde, Hesitação vacinal, Atenção Primária à Saúde, Agentes Comunitários de Saúde, Cobertura vacinal.Resumo
O estudo investigou a influência da desinformação na cobertura vacinal infantil no município de Campos Gerais/MG, articulando dados secundários do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIS-PNI) com pesquisa de campo junto a Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Os resultados revelaram que, enquanto vacinas tradicionais como BCG e Tríplice Viral apresentaram tendência de recuperação entre 2023 e 2025, a cobertura da vacina contra a COVID-19 infantil manteve-se em níveis criticamente baixos. A análise mostrou que 82,6% dos ACS identificaram o medo de reações adversas e a desconfiança como principais razões para a recusa, associadas à propagação de fake news, sobretudo nas redes sociais. Apesar de 65,2% dos agentes relatarem confiança da população em suas orientações, 56,5% nunca receberam capacitação formal para lidar com desinformação, o que evidencia uma lacuna estratégica da Atenção Primária em Saúde. Conclui-se que a hesitação vacinal no município é seletiva e fortemente impactada pelo contexto informacional. Recomenda-se a implementação de um plano municipal de enfrentamento à desinformação, priorizando a capacitação continuada dos ACS e ações educativas comunitárias integradas, como rodas de conversa e parcerias com escolas e lideranças locais. O estudo contribui com diagnóstico empírico e recomendações práticas para o fortalecimento da segurança sanitária em pequenos municípios.
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