Budismo e o Macrogrupo “Outros” interpretações sobre a religiosidade brasileira nos Censos Demográficos
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Resumo
Este artigo analisa a trajetória da classificação religiosa nos Censos Demográficos brasileiros, de 1872 aos dados preliminares de 2022, com ênfase no macrogrupo “Outros” e na presença do budismo no país. A pesquisa adota abordagem histórica e documental, aliando análise quantitativa dos dados censitários disponibilizados pelo IBGE e levantamento complementar no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas da Receita Federal, a partir da busca de termos associados ao budismo (“Buda”, “Buddha”, “Budista”). Essa metodologia possibilitou identificar tanto a evolução da autodeclaração de pertencimento religioso quanto o crescimento institucional das associações formalmente registradas. Os resultados indicam um processo contínuo de pluralização religiosa no Brasil, evidenciado pelo crescimento do grupo “Outros”, que passou de 0,71% em 2010 para 4,15% em 2022, representando uma das mudanças mais expressivas no campo religioso nacional. Quanto ao budismo, observa-se aumento em números absolutos de adeptos e instituições, mas estabilidade proporcional, sugerindo uma tensão entre adesão a práticas espirituais, como a meditação, e filiação institucional formal. Espera-se, assim, contribuir para o debate acadêmico sobre as religiões minoritárias e a complexidade da autodeclaração religiosa, ressaltando a importância dos censos como instrumento de análise das transformações culturais e espirituais no Brasil contemporâneo.
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