A Política do Banco Mundial no Brasil (1990-2002)
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2317-773X.2024v12n2p91-107Palavras-chave:
Banco Mundial, Brasil, EstadoResumo
O objetivo deste artigo é apresentar uma caracterização e interpretação da política do Banco Mundial no Brasil durante o período 1990-2002. Detalhamos as características da orientação política da organização em relação ao país e também as principais características que sua assistência financeira assumiu nesse período. Em termos metodológicos, o trabalho baseia-se na análise documental e na análise estatística dos projetos de assistência financeira da agência. Constatamos que o Banco apoiou diversas políticas destinadas aos pobres, como a educação,
a saúde e as infra-estruturas, e, ao mesmo tempo, apoiou reformas estruturais. Constatamos também que a assistência da agência se concentrava na região nordeste do país e que, em meados da década, essa mesma assistência procurava concentrar-se no nível estadual, em detrimento do estado federal. Interpretamos que a política da agência apoiou o Estado diante dos imperativos que lhe foram apresentados naquela fase: da acumulação - centralmente, a reestruturação do mercado interno como saída para a crise do modo de acumulação do pós-guerra - e da dominação - centralmente, a legitimação do próprio Estado face às crescentes contradições que esta reestruturação implicou.
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