INTER E TRANSDISCIPLINARIDADE DA APROPRIAÇÃO SOCIAL DO CONHECIMENTO (ASC)

entre a Antropologia e o Serviço Social

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2318-7344.2026v14n23p297-313

Palavras-chave:

Apropriação Social do Conhecimento, Interdisciplinaridade, Transdisciplinaridade, Diálogo de Saberes

Resumo

O artigo explora a Apropriação Social do Conhecimento (ASC) como um conceito que se refere à busca pela democratização do acesso e a aplicação do conhecimento científico, integrando saberes acadêmicos com conhecimentos ancestrais, tradicionais e populares. O principal objetivo do estudo é o de analisar às perspectivas inter e transdisciplinares que sustentam a ASC, destacando as contribuições da Antropologia e do Serviço Social em contextos comunitários. A pesquisa, de natureza qualitativa, baseia-se em uma revisão bibliográfica, a qual permitiu uma análise reflexiva e integrativa de diferentes tradições teóricas. Os resultados avaliados indicam que a ASC se alinha a modos alternativos de produção de conhecimento, sendo transdisciplinar e voltada para a aplicação prática em contextos sociais específicos. A intersecção entre Antropologia e Serviço Social é identificada como essencial para implementar a ASC, promovendo um diálogo efetivo entre saberes. Por meio do estudo, é possível concluir que a ASC não se limita à difusão de conhecimento, mas se caracteriza como um processo de negociação baseado no diálogo horizontal, essencial para uma ciência mais inclusiva e democrática.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Vivaz Bandeira, Universidade Federal do Paraná

Mestre e Doutorando em Gestão da Informação. Professor Substituto do Departamento de Ciência e Gestão da Informação (DECIGI) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mestre e Doutorando em Gestão da Informação (Informação e Sociedade), pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação (PPGGI) da UFPR, Brasil. Graduando em Gestão Pública pela UNINTER, Brasil. Licenciado em Direito pela Universidade de Belas (UNIBELAS), Angola, e Especialista em Direitos Humanos e Contemporaneidade, pela Faculdade de Direito (FD) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Brasil. Licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Serviço Social de Luanda (ISSS), Angola, com estudos avançados em Sociologia, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa (ULisboa), Portugal. Membro dos Grupos de Pesquisa Infojus - Grupo de Pesquisa em Informação, Direito e Sociedade e Metodologias para Gestão da Informação, na UFPR e membro externo do Grupo de Pesquisa Quaviss, da Universidade Estadual Paulista - Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Seus interesses de pesquisa estão relacionados com a produção de conhecimentos para sociedades abertas e inclusivas, e abrangem os seguintes temas: Ciência Aberta (práticas de ciência aberta e direito humano à ciência); queixa ao Provedor de Justiça; processos de exclusão/inclusão social; e movimentos e Organizações de Pessoas com Deficiência (OPDs).

Alexandre Cezar Filho, Universidade Federal do Paraná

Mestre Doutorando em Antropologia. Pesquisador e Mestre em Antropologia na Universidade Federal do Paraná (UFPR), com formação interdisciplinar em Relações Internacionais, Filosofia, Ciências Sociais e Literatura. Desenvolve estudos sobre culturas, trabalho e desigualdades sociais, com interesse nas dinâmicas contemporâneas do mercado de trabalho latino-americano. Atua também na difusão pública do conhecimento por meio de palestras, cursos e iniciativas de mediação cultural voltadas à interpretação crítica da sociedade

Bryan Felipe de Oliveira, Universidade Federal do Paraná

Doutor em Gestão da Informação. Pesquisador Pós-doutorando na área da Ciência da Informação, vinculado do PPGCI da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), membro do grupo DataLab Laboratório de Dados, Métricas Institucionais e Reprodutibilidade Científica, Doutor em Gestão da Informação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mestre em Gestão da Informação pela UFPR, Licenciado em Matemática pela Universidade (UCZSUL), Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Cruzeiro do Sul (UCZSUL) e Tecnólogo em Gestão Financeira pela Universidade Positivo (UP), atua como Chefe da Unidade de Controle e Execução Orçamentária do Gabinete da Reitoria na instituição Universidade Federal do Paraná

Referências

AGUDELO PAIPILLA, K.; CASTRO-ARROYAVE, D. M.; GUZMÁN GRAJALES, L.; ECHAVARRÍA, M. I.. Social Appropriation of Knowledge and its contributions to the prevention of cutaneous leishmaniasis in rural contexts. BMJ Innovations, v.8, p. 234-239, 2022. DOI:10.1136/bmjinnov-2021-000899. Disponível em: https://innovations.bmj.com/content/8/3/234.info. Acesso em: 2 jul. 2026.

ALVES-BRITO, A.; MACEDO, J. R.. A história da ciência e a educação científica pelas perspectivas ameríndia e amefricana. Revista Brasileira de História da Ciência, v. 15, n. 2, p. 400-417. 2022. DOI: https://doi.org/10.53727/rbhc.v15i2.804. Disponível em: https://rbhciencia.emnuvens.com.br/revista/article/view/804/638. Acesso em: 30 jun. 2026.

ARAÚJO, P. C.; BANDEIRA, V.. Produção científica sobre Plano de Gestão de Dados indexada na BRAPCI. Revista Sol Nascente, v. 12, n. 3, p. 194–209, 2024. Disponível em: https://revista.ispsn.org/index.php/rsn/article/view/294. Acesso em: 30 jun. 2026.

BANDEIRA, V. Direito Humano à Ciência: reflexos dos seus aspectos constitutivos na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal do Brasil. Academicus Magazine, v. 3, n. 2, p. 1–18, 2025. DOI: 10.4314/academicus.v3i2.1. Disponível em: https://revista.academicuspro.ao/revista/article/view/111. Acesso em: 29 jun. 2026.

BATISTA, C. L. Os conceitos de apropriação: contribuições à Ciência da Informação. Em Questão, v. 24, n. 2, p. 210–234, 2018. DOI: 10.19132/1808-5245242.210-234. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/74317. Acesso em: 2 jul. 2026.

BEZERRA, C.; PAZ, S. R.. Emancipação e apropriação social do conhecimento em Gramsci: uma reflexão a partir do corpus categorial da filosofia da história. Trabalho & Educação, v. 16, n. 2, p. 13–26, 2012. Disponível em: http://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/8765. Acesso em: 2 jul. 2026.

CADENA-GAITÁN, C.; FLÓREZ-MUÑOZ, M. C.; OSPINA, L. O.; SOLAR-RUÍZ, A. P.; CARDONA, A. C. Apropiación Social del Conocimiento sobre cambio climático: la experiencia de las Expediciones Climáticas. Bitácora Urbano Territorial, v. 34, n. 2, p. 125-135, 2024. DOI: https://doi.org/10.15446/bitacora.v34n2.113554. Disponível em: https://revistas.unal.edu.co/index.php/bitacora/article/view/113554. Acesso em: 29 jun. 2026.

CHINCHILLA, D. M. D; LIZARAZO, J. E.; GARCÍA, D. I. C. Apropiación Social del Conocimiento en Salud en Santander: Una experiencia de comunicación, movilización social y educación. Revista del Observa de Salud Públi de Santa, v. 9. 2014. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/343995048_expe_comu_revista_apro_soci_num_2_2014_2. Acesso em: 30 jun. 2026.

COLCIENCIAS. Política Nacional de Apropriação Social da Ciência, Tecnologia e Inovação. Bogotá, 2005. Disponível em: https://minciencias.gov.co/sites/default/files/ckeditor_files/Politicaascyt.pdf. Acesso em: 5 jul. 2026.

COLCIENCIAS. Estrategia Nacional de Apropiación Social de la Ciencia, la Tecnología y la Innovación. Bogotá: Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovación, 2010. Disponível em: https://minciencias.gov.co/sites/default/files/ckeditor_files/estrategia-nacionalapropiacionsocial.pdf. Acesso em: 5 jul. 2026.

COLCIENCIAS. Política pública de apropiación social del conocimiento en el marco de la CTeI. Bogotá: Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovación, 2021. Disponível em: https://minciencias.gov.co/sites/default/files/politica_publica_de_apropiacion_social_del_conocimiento.pdf. Acesso em: 5 jul. 2026.

DAMATTA, R.. A casa e a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

FAZENDA, I. C. A.. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. 11. ed. Campinas: Papirus, 2003.

FRANCO AVELLANEDA, M. Transferencia e intercambio: cuando el río suena… reflexiones para pensar el rumbo de la política de apropiación del conocimiento en Colombia. Trilogía. Ciencia, Tecnología y Sociedad, v. 8, n. 15, p. 69-79. 2016. Disponível em: https://ssrn.com/abstract=3528241. Acesso em: 29 jun. 2026.

GARROTE, M.; RAMOS, P.. O muro invisível da ciência: direitos autorais e acesso a conhecimento. Observatório de Direitos Autorais e Tecnologia. Microanálises Reglab, n. 5. Reglab, 2025. Disponível em: https://observatorio.cc/o-muro-invisivel-da-ciencia-direitos-autorais-e-acesso-a-conhecimento/. Acesso em: 29 jun. 2026.

GEERTZ, C.. A interpretação das culturas. Tradução de Fanny Wrobel. Rio de Janeiro: LTC, 1981.

HAYASHI, M. C. P. I.; SOUSA, C. M.; ROTHBERG, D.. (Orgs). Apropriação social da ciência e da tecnologia: contribuições para uma agenda. Campina Grande: EDUEPB, 2011. Disponível em: https://static.scielo.org/scielobooks/j76hp/pdf/hayashi-9788578791872.pdf. Acesso em: 2 jul. 2026.

IAMAMOTO, M. V.. Os espaços sócio-ocupacionais do Assistente Social. Serviço Social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009, pp. 341-375. Disponível em: https://abepss.org.br/arquivos/anexos/iamamoto-201804131241048556780.pdf. Acesso em: 30 jun. 2026.

JAPIASSU, H.. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976.

KLEIN, J. T. Ensino interdisciplinar: didática e teoria. In: FAZENDA, I.. (Org.). Didática e interdisciplinaridade. Campinas, SP: Papirus, 1998.

LÉVI-STRAUSS, C.. O pensamento selvagem. 12. ed. Campinas, SP: Papirus, 1990.

MINAYO, M. C. S.. Análise qualitativa: teoria, passos e fidedignidade. Ciência & Saúde Coletiva, 17(3), 621–626. 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-81232012000300007. Acesso em: 30 jun. 2026.

MORIN, E. A Cabeça Bem-Feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.

MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. Tradução de Eliane Lisboa. Porto Alegre: Sulina, 2005.

NETTO, J. P. Capitalismo monopolista e Serviço Social. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2018.

NICOLESCU, B. O manifesto da transdisciplinaridade. Tradução de Lucia Pereira de Souza. São Paulo: Triom, 2008.

NOGUEIRA, O. Os Estudos de Comunidades no Brasil. Revista de Antropologia, v. 3, n. 2, p. 95-103, 1955. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/41615600. Acesso em: 30 jun. 2026.

NOWOTNY, H.; SCOTT, P.; GIBBONS, M.. Introduction: “Mode 2” Revisited: The New Production of Knowledge. Minerva, v. 41, n. 3, p. 179-194, 2003. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/41821245. Acesso em: 5 jul. 2026.

OLIVEIRA, M. C. A.; ARENA, D. B.. A atividade de estudo como processo para a apropriação do conhecimento histórico. Obutchénie. Revista de Didática e Psicologia Pedagógica, [S. l.], v. 6, n. 2, p. 424–455, 2022. DOI: 10.14393/OBv6n2.a2022-66643. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/Obutchenie/article/view/66643. Acesso em: 2 jul. 2026.

PALACIOS, L. M.; MACA, L. Y. D.; MUÑOZ, G. A. A.; GUARÍN, H. P. Co-creando para el desarrollo de una solución de innovación social rural: caso de Popayán en Colombia. In: RUBIO. B. U.; ULLOA, C. S.; RIASCOS, J. C.; MUÑOZ, B. G. (Editores). Desarrollo, innovación y tecnología en los países de la Alianza del Pacífico. Lima: Fondo Editorial Universidad César Vallejo; Editorial Uniagustiniana, 2021. pp. 257-288. Disponível em: file:///C:/Users/User/Downloads/LB_Ulloa_RB-Ulloa_RCS-Csar_RJ-Gonzlez_MB.pdf. Acesso em: 2 jul. 2026.

QUEVEDO-PINZÓN, E.; FRANCO AVELLANEDA, M.. Creencias de docentes de preescolar sobre ciencia y tecnología: desafíos para la apropiación social del conocimiento en la infancia. Revista Colombiana de Educación, v. 1, n. 84, p. 1-22, 2022. DOI: https://doi.org/10.17227/rce.num84-11365. Disponível em: https://revistas.upn.edu.co/index.php/RCE/article/view/11365. Acesso em: 2 jul. 2026.

RAMOS-GARCÍA, C.; RODRÍGUEZ ROA, A. A.; ROJAS GUTIÉRREZ, M.; FALLA MORALES, S.; ROCHA TAMAYO, A. M.. Apropiación social de conocimiento para la gestión del riesgo de desastres: Aprendizajes de una experiencia con comunidades de Cundinamarca, Colombia. Revista de Estudios Latinoamericanos sobre Reducción del Riesgo de Desastres REDER, v. 8, n. 1, p. 234-253, 2024. DOI: https://doi.org/10.55467/reder.v8i1.153. Disponível em: https://www.revistareder.com/ojs/index.php/reder/article/view/153. Acesso em: 2 jul. 2026.

SANTOS MELO, C.; ALBERTTI, L. A.. A nova história e as histórias culturais: o conceito de apropriação em Roger Chartier, Carlo Ginzburg e E.P. Thompson. OPSIS, Goiânia, v. 22, n. 2, 2024. DOI: 10.61470/o.v22i2.74876. Disponível em: https://periodicos.ufcat.edu.br/index.php/Opsis/article/view/74876. Acesso em: 2 jul. 2026.

SANTOS, B. S. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, B. S. Construindo as Epistemologias do Sul para um pensamento alternativo de alternativas, Volume I. CLACSO, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.2307/j.ctvt6rkt3.18. Acesso em: 5 jul. 2026.

SANTOS, M. Por uma geografia nova: da crítica da geografia à geografia crítica. São Paulo: Hucitec, 1978.

VIVEIROS DE CASTRO, E.. A inconstância da alma selvagem e outros ensaios de Antropologia. São Paulo: Ubu Editora, 2017.

Downloads

Publicado

2026-10-14

Como Citar

BANDEIRA, Vivaz; CEZAR FILHO, Alexandre; OLIVEIRA, Bryan Felipe de. INTER E TRANSDISCIPLINARIDADE DA APROPRIAÇÃO SOCIAL DO CONHECIMENTO (ASC): entre a Antropologia e o Serviço Social. @rquivo Brasileiro de Educação, Belo Horizonte, v. 14, n. 23, p. 297–313, 2026. DOI: 10.5752/P.2318-7344.2026v14n23p297-313. Disponível em: https://pucminas.emnuvens.com.br/arquivobrasileiroeducacao/article/view/38789. Acesso em: 16 out. 2026.